Como todos sabemos, desde tempos remotos o nosso nordeste sofre as agruras de sêcas inclementes e até de estiagens prolongadas. Todavia, embora Campina Grande esteja localizada na área menos agreste, mesmo assim sofre em menor intensidade as grandes estiagens. Ate 1958 ano em que foi inaugurada a adutora de Boqueirão, a população de Campina Grande sofreu uma grande instabilidade no suprimento de água. Diante desse angustiante problema foi que as autoridades do passado se concentraram em construir açudes e até pequenas barragens. E foi dentro desse contexto que surgiram o AÇUDE VELHO por volta de 1830 seguido pelo AÇUDE NOVO construído dentro da mesma década, haja visto que em 1840 já foram executados reparos na sua estrutura. Finalmente, veio o AÇUDE DE BODOCONGÓ cujas obras foram iniciadas no ano de 1911 porém sofreram algumas paralizações vindo somente a ficar concluído no ano de 1916 e, no ano seguinte, transbordou pela primeira vez.
Naquela época, tanto a sociedade campinense como os políticos se mobilizaram para consumar a execução da grande obra. O Prefeito Cristiano Lauritzen pediu ajuda ao Governo Federal e, em pouco tempo chegava a nossa cidade o Eng. Miguel Arrojado Lisboa diretor da Inspetoria Federal de Obras contra as Secas – IFOCS - Mais tarde transformado no atual DNOCS, e foram logo iniciados os serviços de localização da barragem e respectiva topografia. O Prefeito recebeu o apoio integral de todos os Conselheiros Municipais, atualmente Vereadores, que assinaram o ofício de solicitação ao governo federal no dia 19 de julho de 1911.
Agora, refiro-me específicamente ao Açude de Bodocongó, e por uma razão muitíssimo justa; É que ele está morrendo lentamente...! Está agonizando, depois de quase um século de utilidade pública o abandonaram de uma forma injusta e cruel. Lembro-me perfeitamente de quando cerca de uma dúzia de empresas incluindo indústrias têxtil, de celulose, de premoldados, de óleos vegetais e rações, beneficiamento de couros e peles, etc., eram todas abastecidas com água do velho açude. Lembro-me outrossim quando nos anos 50 do século passado, na sua margem paralela a BR, em frente ao então Curtume Antonio Villarim, numa casa rústica situada na prainha do açude, funcionava o nosso saudoso Clube Aquático de Campina Grande muito festivo e concorrido sobretudo nas matinais de finais de semana, quando prevalecia a prática do ski aquático com um grande número de lanchas e desportistas.
É profundamente lamentável e triste ver o açude com menos de 50% do seu volume original, em conseqüência do assoreamento das suas barrancas que anualmente são arrastadas pela correnteza obstruindo a sua bacia. Inúmeras vezes temos ouvido a administração pública local falar a imprensa sobre o assunto e prometer executar a dragagem e a revitalização do açude. Entretanto, o tal projeto nunca saiu da prancheta. Enquanto isso, o açude agoniza e Campina Grande poderá perder mais uma belíssima página da sua história. Portanto, fica aqui o meu apelo aos órgãos de imprensa local assim como a população como um todo a se manifestarem ativa e pacìficamente no sentido de que o Açude de Bodocongó seja restaurado e urbanizado e jamais venha a desaparecer do cenário que enriquece a história e a cultura da nossa Rainha da Borborema.
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